quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Castelos de Areia


Ele acordou, passou a mão na cômoda, ainda trêmulo por ter acabado de acordar. O despertador foi adiado para soneca, como ele fazia todos os dias. Mas neste ele não conseguiu dormir seus quinze minutos de preguiça. Sua mente estava turva demais para qualquer espécie de descanso. Sentia-se amarrado a um peso imaginário; Talvez fosse por lembrar a todo momento o que deveria ter esquecido a tanto tempo. Ele fechava os olhos. Quase podia voltar à fatídica cena que lhe tirava a serenidade.

Todos diziam que ia durar para sempre. Descreviam-os como o casal modelo, um exemplo a ser seguido por essa juventude estagnada nos males da promiscuidade. Eles sorriam, sorrisos amarelos incomodados com os holofotes desnecessários. Eram um casal comum, de desejos comuns e relacionamento monótono. Amavam-se, não tanto quanto queriam amar. Mas amavam-se. E era o que importava.

Ele andava com muletas. Desvencilhava-se de qualquer tipo de incerteza. Vivia seguindo uma linha, a qual não poderia entortar seu curso. Ela o conhecera quando ele estava partindo para uma rota errada, preferindo-a a uma deriva. E ele a tornou seu porto-seguro.

Já ela não queria estar amarrada na praia. Seu sonho era desatar-se deste nó que lhe deixava presa no raso. Ela queria navegar todos os mares, conhecer todos os gostos, todos os olhares e sensações. E ele estava fortemente agarrado às amarras do cais, desejando viver para o resto dos seus dias sua prisão domiciliar.

Foi quando ela resolveu partir. Não lhe fez um convite. Deu-lhe um ultimato. E ele, perdido em seus temores e negações, deixou-a partir sozinha.

E naquela manhã, ainda não pôde nomear o que lhe estorvava. Não era resmorso; Não houve tempo suficiente para isso. Era, quem sabe, o peso do recomeço. De aceitar que a maré alta levara o castelo que construíra na areia. E que a hora de construir outro se ia, como ela tinha ido...

17 comentários:

Maurício disse...

tem um selo pra ti lá no nosso blog

http://toscoporsertosco.blogspot.com/2009/01/yeah.html
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M. Manfio- Vice- Presidente do Tosco Por Ser Tosco

Fernanda disse...

a vida é feita desses tais castelos e pra um novo ser construido é preciso deixar o outro castelo ser destruido pelo mar...

Thiago L. disse...

Concordo com a Fernanda.
Nem sempre nossos castelos são tão resistentes, um dia eles podem cair, e o que nos resta fazer é reconstruí-los.

Fiquei profundamente admirado com o seu texto Sam... Você vai longe!

anne biah disse...

Amo teus textos. Obrigada por espalhar tuas adéias até mim, Sam.

ViNícULa disse...

triste
profundo
simples


realidade



muito bom


bah



bom mesmo


me vejo como o dono desse castelo destruído pela maré
demorou muito tempo para construir
e agora
do nada

ele vem areia abaixo


novo rumo
novos ares

talvez, quem sabe

uma nova vida




bom mesmo




ah
tem selo pra ti no meu blog

Camila :) disse...

muitoo boom :)

ps:sorry a falta de tempo pra responder como se deve!

bejoos

Max Psycho disse...

gata eu achei profundo seu texto, mas de acordo com a convicção que tenho para mim, o amor é e sempre será um castelo de areia que é levado pela maré ou chutado por um dos dois, bjus gata (i hate the love)

anne biah disse...

Aliás, eu tava vendo teus posts passados e vi o selinho de 'melhores de 2008', ai tinha lá 'Dias de Verão', então eu fiquei realmente encucada, e como não tinha links lá eu vim perguntar se era eu ;x E se era, uau, brigada mesmo.

Andréia disse...

é avida neh? se pudessemos todos fariam um castelo de pedra que nem vento nem chuva derruba...
masss....

bjux

Sam disse...

Anne, não tô conseguindo comentar no seu blog. O selo é pra ti sim. Beijos

susan soares disse...

amei aki, vou voltar mais vezes bjokas

Nataliinha disse...

Oiie...

As vezes nao podemos construir castelos mt grandes pq eles podem ser pisoteados e ruierem logo .

Beijos =)

Gisele Santos - Redação MRC disse...

olha que chic , futura jornalista

teu blog me deu vontade de chupar bala de uva, mas longe daquela música ridicula do tal chupa qu é de uva hahhaha

vou acompanhar teu blog
depois vai lá no meu , ok

bjus

Enxaqueca disse...

... pois nada melhor do que quando um sonho acabava... há espaço para novos, é uma folha em branco. E a vida é assim mesmo... nada é eterno, nada é infinito... E é isso que faz com que nos seja interessante...


Besos, guapa...

Thaís Motta disse...

Ola , pois é to acompanhando .
Gostei muito daqui .
E que bom que você gostou do meu infinto , que de particular não tem nada!

Volte sempre que quiser!

beejos!

.moony. disse...

adorei *-*
triste e singelo i.i
passarei aqui mais vezes ^^
bju
teh +
o/*
.moony.

Nathália disse...

Talvez fosse eterno se houvesse sintonia. Talvez.