segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Adultecência

O tempo é um tal de um sujeito oculto. Sabemos que ele existe – mas onde? Como ver algo em meio a tantos prédios acinzentados, tantos bi-bi-bis apressados?

O pior, porém, vem no fim do dia. O metrô. O ônibus. Os rostos exaustos, inexpressivos. É tanta apatia que beira o descaso. O hálito destes robôs de carbono cheira a sonho estagnado, a projetos inacabados, a porquês que nunca foram respondidos. O suor, então, é a metamorfização da labuta: vira dinheiro (sujo), comida no fim do mês, o tênis que o modelo usa no intervalo da novela das 9.

E o jornal, ah, o jornal! Vuvuzela das más notícias, se espremido, é capaz que saiam cadáveres esquecidos.

Porque gente esquecida também é notícia – ainda que só sirva pra passar em documentário de gente metida a cult.

Somos um bando de gente que existe, mas não vive.

14 comentários:

letícia lovegood. disse...

Robôs de carbono. Sabe, Sam, às vezes eu acho que você têm os olhos do Thom Yorke. Ele sabe que nós estamos perdidos e que não há nada a fazer sobre isso. Só sentar e esperar. Talvez, tentar conservar aquela pontinha de esperança ajude.

Eu espero não me tornar nunca um robô de carbono.

Ricardo Lima disse...

Essa foi rock Sam... Mas o pior não é só essa estagnação da humanidade das pessoas. E sim que nós não vemos o nosso entorno, e não persebemos que as pessoas estão gritando por nós e agente não esta nem ai. Não quero ser um robô de carbono tbm não!

Henrique Miné disse...

o mundo, e desculpe o termo, fode com a vida de qualquer um, a ponto de, como vc mesma disse, deixar o cidadão sem a própria vida.

Venho pensando muito nisso (o que tem se refletido em alguns poemas) e olha, é perigoso, tá tudo tão errado que dá um desgosto enorme.

Pior ainda é saber que toos temos que passar por essa "Adultecência" :/

beeeijos.

Nasaneeds. disse...

Robôs de carbono. às vezes penso que os seres humanos são assim mesmo. E deixam de ser Robôs só quando deitam a cabeça no travesseiro para refletirem sobre o dia - isto é, se eles não caem no cansaço antes mesmo de dar tempo para isto acontecer.

Thândara Mota disse...

Eu também tenho medo de virar uma adulta e não ver mais o mundo como vejo.
Se encontrar um jeito de atrasar essa 'adultecência' não hesite, compartilhe.
Você tem um nobre poder de traduzir em palavras coisas que, por mais que comuns, não são fáceis de se parafrasear.

Pedro Ricelly disse...

É complicado lutar contra o "envelhecimento dos olhos". Ainda que eu não queira, eles são obrigados a ver coisas que os fazem crescer, e a consequência é uma pessoa chata e que não vê o encanto das coisas belas da vida, leia-se adulta.

Euphoria disse...

é rock, definitivamente!

Fernando Lana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando Lana disse...

esse texto é bem chato...OPA DIGO adulto!

#Eric Silva# disse...

Tirando o titúlo (Bossa) o texto tá Rock!

Se você não vive não existe.
Ter vida não ti torna vivo e é por isso que temos que usurpar ao MAX o que a vida nos oferece!

O tempo nunca existiu, mas agora existe e é um regulador de viver intenso e imperdoável, a criação mais cruel do homem, a que mais escraviza no mundo, a criação mais injusta e imperfeita de todas.
O tempo é o único que não perdoa!

Amanda Proetti disse...

Senso crítico aguçadíssimo, girl! ;)

Mas sabe de uma coisa?! FELIZMENTE, quem faz o mundo SOMOS NÓS! E no meio do NÓS, tem gente como EU e VOCÊ e tantos OUTROS e OUTRAS... e o TEMPO... e os ROSTOS... e todo esse cotidiano que às vzs parece aterrorizador... são nossas "almas armadas e apontadas para a cara do sossego"!!! ;)

Bjo! PARABÉNS! Virei seguidora. =)

Claudio disse...

A real é que você coloca poesia em lugares difíceis e até inesperados.

Aqui te viram Thom Yorke, te viram rock, e não seria absurdo ver Bob Dylan também. Acho que anda no caminho correto.

Já tinha lido outros posts, e agora me vi obrigado a comentar. Parabéns.

Maldito disse...

Pois é,..o tempo não para , no entanto, ele nunca envelhece!

Little Tay disse...

E por isso que perdemos parte das nossas vidas vagando por entre esses prédios.
E a medida que o tempo passa, ficamos mais velhos e menos livres.
Viramos esses robôs de carbono.
Bjs